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Com japonesa Nichino, Grupo Sipcam se assegura em produtos patenteados e pós-patente, comenta entrevistado Luiz Traldi 


 O Diretor Presidente da Sipcam Nichino Brasil, Luiz J. Traldi, concedeu uma entrevista ao Global Agrochemicals onde foca no potencial de crescimento da agricultura no Brasil e como a empresa está se estruturando para esse cenário.

Com mais de 30 anos de experiência no agronegócio, através de importantes empresas do setor de defensivos agrícolas, Luiz já atuou como Gerente de Marketing e Diretor de Planejamento Estratégico de importantes empresas do país. 

1.Com 38 anos presente no Brasil e desde 1987 com a planta de Uberaba em atividade, o Grupo Sipcam vem desenvolvendo e formulando produtos no país. Qual são as perspectivas do mercado de defensivos para 2017 e 2018 e qual serão as estratégias do grupo neste período?

O Brasil é um dos poucos países fora da África que ainda tem grandes áreas potencialmente agricultáveis a serem incorporadas no sistema produtivo, sem que para isso se derrube florestas nativas. Estamos falando de aproximadamente 200 milhões de hectares de pastagens que, se considerarmos a conversão de apenas ¼ dessa área em agricultura, poderíamos praticamente dobrar a área plantada de grãos no Brasil. Sendo assim, não há nenhuma dúvida quanto ao potencial de crescimento da agricultura brasileira quando analisamos perspectivas de médio e longo prazo. Ao se analisar expectativas de curto prazo, outros pontos como o câmbio, os estoques no campo e os preços internacionais das commodities agrícolas podem interferir positiva ou negativamente no resultado, o que nos traz para 2017 e 2018. Com a valorização do real – R$, a diminuição dos preços das commodities e os altos estoques de determinados produtos no campo, podemos prever que o mercado de Defensivos Agrícolas em 2017/2018 não expresse seu potencial, ou seja, não será surpresa se o mesmo não apresentar crescimento neste biênio – 2017/2018. Apesar dessa perspectiva neutra, a Sipcam Nichino Brasil se estrutura para assegurar crescimento, já que projetamos o lançamento de diversos novos produtos que assegurarão a sustentabilidade dessa estratégia. 

2.A empresa possui 50% do capital com a japonesa NIHON NOHYAKU CO. LTD, que tem como tradição o desenvolvimento de novas moléculas. De que maneira ter uma empresa japonesa especializada neste segmento pode gerar um diferencial competitivo para a Sipcam Nichino no Brasil?

A SNB (Sipcam Nichino Brasil) passou a ter um perfil único e altamente promissor para o mercado brasileiro com a inclusão da NICHINO (Nihon Nohyaku) na composição acionária. O Grupo Sipcam-Oxon nos assegura a disponibilidade de produtos-chave pós-patente e o Grupo Nichino nos assegura os produtos patenteados. Essa parceria nos garante a oferta de um portfólio de produtos mais adequado à agricultura brasileira e portanto, mais desejado pelo agricultor.

3.O Brasil possui um território vasto com potencial de produção agrícola em quase toda sua área e com isso a logística de atendimento dos insumos agrícolas como os defensivos é um desafio. Com experiência também na distribuição de agroquímicos, qual a percepção da Sipcam Nichino da cadeia de distribuição destes insumos pelo Brasil e o que pode ser melhorado?

Qualquer estrangeiro que nos visite fica impressionado com duas situações totalmente opostas relacionadas à agricultura no Brasil – a nossa eficiência da “porteira para dentro” e o nosso descuido da “porteira para fora”, com ênfase na infraestrutura logística do país. Essa realidade reforça a nossa estratégia de parceria com o nosso sistema de distribuição – revendas e cooperativas. Juntos conseguimos amenizar o descuido logístico brasileiro e assegurar o correto produto no momento adequado aos nossos verdadeiros clientes – o agricultor.  

4.É assunto recorrente no mercado de defensivos as questões de registro e processos regulatórios dos produtos. Com experiência neste assunto, inclusive na Sipcam, quais são, na sua opinião, os principais entraves para uma regularização de defensivos mais ágil no país?

Pelo tamanho e potencial de crescimento do mercado, o Brasil tem atraído a cada ano novas empresas interessadas em atuar no país. Isso tem dois impactos de resultados potencialmente opostos – a maior oferta de produtos pode eventualmente assegurar disponibilidade e competitividade, mas, por outro lado, cria uma enorme demanda de novos processos de registro a serem analisados pelos órgãos registrantes – MAPA, ANVISA e IBAMA. Para que possamos ter processos mais ágeis o país necessita readequar sua estrutura, tanto de pessoas como de recursos operacionais e, desburocratizar alguns dos atuais processos pós-registro, como inclusão de formuladores e embalagens. Outro fator importante seria a definição de prioridades para análise destes processos, considerando, por exemplo, demandas emergenciais fitossanitárias, empresas registrantes com plantas locais, assim como o registro de novas moléculas. 

5.A Sipcam Nichino tem em seu porfólio produtos que atendem grande parte das culturas presentes no país. Qual a visão da empresa para o mercado agro atualmente e em quais das culturas poderia ser mais atrativas para investimentos do grupo?

Como nossos acionistas são, em grande parte, produtores básicos das moléculas que registramos e portanto oferecemos ao mercado brasileiro, as culturas mais atrativas estarão sempre relacionadas à diferenciação e grau de eficácia que essas moléculas – atuais e futuras, poderão oferecer às diferentes culturas plantadas no Brasil, sempre com foco em agregar valor ao agricultor brasileiro.

Equipe Global Agrochemicals, 08/06/2017

 

 



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