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Flavio Hirata fala em entrevista sobre comportamento do mercado brasileiro de defensivos frente as grandes fusões.


O sócio da AllierBrasil, Flavio Hirata, concedeu uma entrevista à equipe do Global Agrochemicals, focando principalmente sobre o procedimento de registros de defensivos no Brasil, o mercado nacional e também internacional de defensivos com ênfase nas grandes fusões e nas novas políticas ambientais chinesas.

Flavio Hirata é engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ – USP), possui MBA, é especialista em defensivos agrícolas e também responsável pela organização do 10º Brasil AgrochemShow e do Fórum AllierBrasil na China, Índia e Japão.

1-A AllierBrasil trabalha há anos com registros de defensivos agrícolas no Brasil. Com base nessa experiência, quais são as principais dificuldades de se registrar defensivos no Brasil? E quais seriam as possíveis melhorias que poderiam ser adotadas para deixar este processo mais dinâmico como ocorre em outros países?

A partir da solicitação do registro, o tempo para aprovação pode chegar até 12 anos. Essa é a maior barreira não tarifária de acesso ao mercado, sobretudo onde poucas empresas (quatro ou cinco) concentram 85% do mercado de aproximadamente US$ 9,6 bilhões.

Para melhorar o sistema de registro, seria interessante a unificação do procedimento em uma única agência regulatória. Com isso não seria preciso realizar a revisão dos mesmos itens e estudos e harmonizaria as normas, levando-se em conta que esta agência seria responsável pela regulamentação do setor. Isto sem dúvida tenderia a diminuir os prazos de avaliação dos registros. Hoje os processos são protocolados e avaliados por três órgãos: ANVISA, IBAMA e MAPA.

Acredito, porém, que no médio prazo o tempo para aprovação de registros vai ser menor quando comparado ao tempo atual.

2-A burocracia no registro de agroquímicos no Brasil tem suas finalidades. Em sua opinião quais sãos os prós e contras no método utilizado pelo Brasil?

Os órgãos regulatórios desempenham um papel fundamental, pois têm a função de proteger a saúde, meio ambiente e agricultura. Num país onde a área agrícola é muito maior do que vários países juntos, o rigor da avaliação e aprovação é importante. O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, e os alimentos exportados também devem estar dentro das especificações dos países importadores.

No Brasil a burocracia é sistêmica e crônica, está em todos os níveis da sociedade, nas esferas pública e privada, com mais ou menos intensidade. Isso leva a perda de produtividade, eficiência e aumento dos custos. O país perde em competitividade e atratividade. Não há verdadeiros vencedores.

3-O mercado de defensivos está passando por um momento de consolidação a partir da fusão e aquisição de algumas empresas. Qual o impacto que você espera que essa consolidação vá causar em termos de tecnologia em defensivos (novas patentes e registros) e também no comportamento do mercado?

As fusões não são simplesmente a soma de A + B, mas sim o sinergismo tecnológico de portfólio de produtos e distribuição. A tendência atual é ocorrer uma concentração muito elevada desses elementos deixando o consumidor, o agricultor, altamente dependente de poucos grandes grupos. Em contrapartida novos players não conseguem acessar o mercado por conta da barreira criada pela demora no registro de produtos. Além disso, muitos dos importantes fabricantes de defensivos agrícolas estrangeiros postergaram suas ações no país, o que diminui ainda mais a competição.

Para os que já estão no mercado, a distribuição é hoje a maior barreira e está ficando cada vez maior. Então baseado na possibilidade dos registros serem aprovados num prazo de tempo menor, quando isto acontecer, a distribuição estará altamente concentrada. Ou seja, aumentará ainda mais a concentração do mercado.

4-A China está passando atualmente por mudanças na sua conduta ambiental que já mostra alguns impactos no mercado de defensivos e disponibilidade de produtos. Com sua experiência com o mercado chinês e brasileiro, quais devem ser os impactos dessa mudança aqui no Brasil?

Já estamos sentindo o impacto destas mudanças. Muitas fábricas foram fechadas, desde fabriquetas (tipo fundo de quintal), como também fábricas recém-inauguradas com as respectivas licenças ambientais. O registro de produto é ligado ao endereço da fábrica. Se a fábrica fecha, o produto não pode ser importado através deste registro.

O primeiro sintoma do que está ocorrendo é a diminuição do fornecimento e consequentemente o aumento dos preços. Devido a isso, também ocorre o aumento do comércio de produtos ilegais.

5-O Brasil AgrochemShow é um importante evento que une fabricantes e distribuidores de defensivos e está em sua 10º edição, o que demonstra seu grande sucesso. Qual é a expectativa para a edição desse ano e os principais tópicos que serão abordados?

Nossas expectativas são grandes. O Brasil AgrochemShow é organizado pela AllierBrasil e a CCPIT da China, e a taxa de inscrição é uma cesta básica para doação a uma instituição de caridade.  É um evento singular na América Latina. A maioria dos fornecedores chineses entrou em contato com compradores através desse evento. Aguardamos a presença de 300 expositores e visitantes locais e estrangeiros, sobretudo da China e Índia.

Procuramos trazer assuntos atuais que tragam conhecimento e experiência. Todos os tópicos abordados enquadram-se nesses requisitos, sem exceção. Por exemplo, a palestra do Sr. Ronaldo Pereira, VP da FMC, sobre desafios e perspectivas do setor nos próximos anos é algo que todos queremos aprender.

Finalizando, gostaria de deixar meus agradecimentos por todas as doações e contribuições financeiras realizadas pelas empresas que estão ajudando na organização do evento, entre elas: CHDs, Semeali, Dinagro, Ultrafine, Plantec.

Sobre a AllierBrasil

A AllierBrasil é uma empresa que atua no ramo de consultoria na área de defensivos agrícolas, assessorando empresas já estabelecidas ou que estão em processo para ingressar no mercado brasileiro. Focando em registro de produtos, marcas e patentes, acesso ao mercado, importação e exportação e desenvolvimento de parcerias comerciais.

Equipe Global Agrochemicals, 11/07/2017



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